|
| Matérias::: |
 |
.jpg)
|
EMBARQUE NUMA NOVA AVENTURA: MERGULHE!
Genser Freire, instrutor de mer-gulho e integrante do staff da Bahia Scuba, aborda de forma bem clara o primeiro contato com o mundo sub. |
| |
Batismo com água salgada!
|
Diz o ditado que na Bahia existe uma igreja
para cada dia do ano. Em Salvador, até a Baía... é de Todos os Santos.
Nessa maré religiosa vamos embarcar numa nova aventura: o batismo com água
salgada. O melhor é que não é preciso esperar por um milagre para conhecer
o mundo divertido, colorido e cheio de vida do fundo do mar.
O
batismo é um programa que apresenta o mergulho autônomo de maneira
relaxada, sempre supervisionada por um profissional. Você aprende
conceitos básicos de segurança, uso de equipamento e natação.
O
programa pode ser feito em uma piscina, em uma área abrigada, como nas
praias de Praia do Forte e Porto da Barra, ou melhor, em um ponto de
mergulho, como um naufrágio ou banco de coral.
O primeiro passo é
encontrar uma escola de mergulho. É preciso fazer uma entrevista para
saber se você preenche os requisitos básicos: ter 10 anos ou mais, estar
em boa forma física e saber nadar. Calma, não se preocupe. Não
precisa ser um atleta. Vamos agora ao próximo
passo. Conhecer alguns conceitos básicos. Dois são fundamentais:
pressão e flutuabilidade. Quanto mais fundo nós descemos,
maior é a pressão. Nosso corpo é feito basicamente de água, mas nós
possuímos espaços aéreos que na água sofrem os efeitos da pressão e
precisam ser equalizados. São eles os pulmões, os seios da face e os
canais dos ouvidos. Como equalizamos estes espaços aéreos? A regra mais
importante no mergulho autônomo é "respirar continuamente e nunca
prender a respiração". Assim estamos equalizando os pulmões e evitando
uma lesão por super expansão pulmonar quando subimos para profundidades
mais rasas e a pressão diminui.
Os seios da face e os canais dos
ouvidos são equalizados através da manobra de valsalva, ou melhor, a mesma
que fazemos quando viajamos de avião. "Pinçamos" o nariz e tentamos soltar
o ar por ele. Assim o ar (dos pulmões) chega a estas áreas e equalizam a
pressão interna com a da água a nossa volta. Outro método que também pode
ser usado é o do movimento lateral da mandíbula. Ou combinar
ambos. Existe um outro espaço aéreo, que não é natural de
nosso corpo, que precisa ser equalizado também. Isto nos leva ao próximo
passo. O aprendizado sobre o equipamento que vamos usar. Para ver embaixo
da água precisamos usar uma máscara. Ao colocá-la no rosto, entre
as lentes e a face fica um espaço preenchido por ar. A pressão nesse
espaço precisa ser equalizada a medida que descemos. Isto é feito através
do nariz, soltando um pouco de ar.
As nadadeiras, outro
equipamento básico, tornam nossa locomoção mais eficiente na água.
Pernadas longas, braços junto ao corpo e posicionamento horizontal. Esta é
a melhor maneira de se deslocar embaixo da água.
Na superfície,
Usamos o snorkel para respirar sem tirar o rosto da água ou gastar
ar do cilindro.
O cilindro, um tanque com ar que usamos para
respirar embaixo da água, é conectado a um colete equilibrador que
junto com o cinto de lastros nos ajuda a encontrar a
flutuabilidade neutra. Ou seja, nem subir, nem descer demais. Isto
porque se estamos muito pesados, podemos bater no fundo e nos machucar,
além de danificar o equipamento ou a vida marinha. Se estamos muito leves
não conseguimos descer ou ficamos longe do fundo. Ao cilindro também está
conectado o regulador , que nos permite respirar sem esforço, de
forma lenta e profunda. Quanto mais relaxado você estiver , melhor será
sua respiração e, consequentemente, seu mergulho.
O instrutor
também vai dar orientações de como desalagar uma máscara e um regulador
(se necessário) e usar alguns instrumentos. O manômetro nos diz a
quantidade de ar que temos no cilindro. O profundímetro, a
profundidade que estamos. Antes de embarcar, mais uma
coisa: como se comunicar embaixo da água. Você vai aprender alguns
sinais: OK? (pergunta), OK! (resposta), algo está errado,
subir, descer, são alguns deles.
Agora vamos curtir a viagem
até o ponto de mergulho. Chegando lá, algumas informações vão completar
seu aprendizado: a maneira correta de se vestir, ajustar o equipamento e
entrar na água. Ainda na superfície, você deve respirar pelo regulador com
o rosto na água, para se acostumar com o equipamento e depois descer
usando um cabo como referência, sem esquecer de equalizar a cada metro. Um
detalhe: se estiver gripado pode não conseguir fazer isso.
Quando
chegar ao fundo, o Instrutor ou Supervisor de mergulho vai
ajudar você a encontrar a sua flutuabilidade neutra e então você vai se
sentir como se estivesse voando, sem peso. Agora é só aproveitar o passeio
e conhecer um novo mundo... peixes coloridos, corais de várias formas e
quem sabe até um naufrágio histórico. Depois de meia hora, ou mais, você
volta à superfície "batizado" com água salgada e com um gostinho de quero
mais.
Sabe o melhor? Ao cumprir todos os requisitos, você ganha
créditos para se tornar um mergulhador certificado (fazendo um curso), e
assim pode conhecer outros pontos de mergulho.
Mergulhadores são
pessoas especiais. Sempre mergulham em dupla, com amigos ou familiares,
independente do nível de certificação. Conhecem sempre novas pessoas, não
competem com ninguém e podem estar mergulhando daqui a 10, 20, 30 anos ou
mais.
Espero vê-lo na próxima saída de mergulho. Até lá e bons
mergulhos! Genser Freire é Instrutor
de mergulho pela PADI, PDIC, e faz parte do staff da Bahia
Scuba. E-mail de Genser: genserfreire@hotmail.com | | | |