| Partindo de Maracajaú, no litoral do Rio Grande do Norte, chega-se perto do Cabo de São Roque, na extremidade do Brasil. O barco segue em linha reta para o alto-mar. A 15 milhas da costa, cerca de 28 quilômetros de distância da terra firme, quase no fim da plataforma continental, a profundidade, ao invés de aumentar está diminuindo.
No visor da sonda, uma montanha submarina que chega a 20 metros da superfície. Logo na frente do barco está o abismo que vai a 700 metros de profundidade. No topo da montanha, fica-se tão distante do continente e tão perto da superfície.
De repente descobre-se uma floresta petrificada. Parecem troncos de árvores cobertas pela custa marinha. As esponjas se destacam nesse jardim submerso com uma grande diversidade de peixes. Uma descoberta que causou espanto os mergulhadores mais experientes.
“A sensação que a gente tem é única, pelo fato de ser um local ainda virgem. A gente descobrir, aqui no Brasil, um ponto desses, é maravilhoso”, ressaltou um mergulhador.
O mergulho, agora, é em outro ponto da plataforma. Encontra-se uma parede de arrecifes com várias passagens em forma de túneis. Chega-se, então, à entrada principal de um templo submerso. As colunas que sustentam o teto são rochas de arenito, desgastados pela força das correntes marinhas. Iluminando com lanternas, é possível ver as fendas abertas pela erosão. Ss cavernas que se formam são esconderijos para os peixes.
O professor de Biologia Marinha Jorge Lins, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), acompanhou o mergulho. “Diversas equipes das universidades estão estudando para identificar não só a diversidade de animais, mas também a formação geológica que deu origem a esses arrecifes”, disse Lins.
Descobrir a origem da cidade perdida é um desafio para os pesquisadores. “A primeira coisa que eu lembra é de Atlântida. Parece um palácio perdido no fundo do mar. O sonho de muitos mergulhadores é encontrar a cidade perdida”, concluiu o mergulhador Patrick Muller. |